terça-feira, 17 de novembro de 2009

Desabafo!

Difícil a concordância entre essas palavras, porém se em fatos bastante simples se torna. Peguemos por exemplo então o que houve comigo hoje, neste dia 17 de novembro de 2009:

Depois de tanto engolir e suportar maus tratos e mesmo problemas insolúveis, senti-me triste nesta manhã. Aquela mesma sensação de todo dia: falta de ar, aperto no peito, desânimo e vontade de chorar. Mas era rotina essa sensação toda manhã, então engoli tudo pra mim e continuei a fingir estar bem. Lembro, para quem sabe das histórias pessoais minhas, que ontem à noite ocorreu mais um daqueles episódios que me abalam, correto? Fora o fato de que em casa, ando passando mais uma daquelas temporadas insuportáveis de problemas familiares. Escola? Nossa, essa daí é recorde de situações de desagrado pro meu humor: começa com notas, termina com aquele sentimento de exaustão com os "tipinhos" com que tenho que conviver em sala (lógico, salvo alguns).

Bom, pois é, engoli. Aguentei mais alguns horários até de novo aquela pessoa que antes se dizia minha amiga (e que talvez por eu ter tanta consideração, seja motivo de situações que me incomodam), vir com aquela mesma atitude de me tratar mal. Hoje me incomodou mais que nunca! Não deu pra engolir. A questão é:

A pessoa começou a me tratar mal, porque um dia ficamos. Okay, eu até entendo que essa situação possa mudar o comportamento de algumas pessoas, mas tratar a mim, como se eu fosse culpada por algo, isso não tem lógica! Cadê nossa amizade que antes você dizia haver? E, mais uma coisa: não te obriguei a ficar comigo, LÓGICO. Se um dia ficamos, foi por que de alguma forma você quis.

Como dizia, isso me incomodou! Saí de perto e algum sentimento me corroeu à ponto de me fazer derramar algumas lágrimas. De início, pensei que fosse tristeza, mas agora tenho certeza de que não o é. De novo, fiz o máximo pra engolir e tentar ficar bem. E adivinha! Lógico que vinha mais coisas pela frente.

Não havia passado sequer um horário e o supervisor entrou com um monte de provas pra entregar e como tinha de acontecer, o Sandro pegou-as e ficou fazendo hora com as provas na mão, ou o que seja, porque na verdade eu nem vi o que tava acontecendo! Eu apenas ouvi algumas pessoas reclamando até que alguém me pediu pra distribuir. Eu pensei: "Como não estou corrigindo o exercício mesmo, não custa nada entregar, assim, quem está corrigindo não precisa de perder a correção." E eis que o professor chamou minha atenção e todo mundo que antes havia apoiado para que eu tomasse conta do trabalho de distribuição das provas para evitar problemas, simplesmente me condenou, como se eu tivesse culpa! Meu Deus, isso me desorienta! E já não é de hoje que essa mesma situação vem ocorrendo na sala.

Sentei, abaixei a cabeça e as lágrimas desceram. Eram muitas e bem mais do que eu esperava. Era a conseqüencia daquela exaustão por engolir tudo. E tudo o que me passou pela cabeça, foi o medo de começarem a reclamar e criticar, dizendo que eu estava me fazendo de vítima, ou que era desnecessário, ou que era pra aparecer. Isso provavelmente ia me fazer ruir naquele momento. Estava destruída.

Agora que posso refletir com um pouco mais de calma e até mesmo com a maturidade normal (ou anormal em relação à minha idade), cheguei à conclusão de que as pessoas só sabem reclamar naquela sala. E isso acaba fechando a cabeça delas. Se tornam cegas. Não conseguem perceber o que outras pessoas fazem por elas. Se tornam ingratas. Continuam reclamando, jogando a culpa pro outro. Fácil, não? E agir, pra melhorar as coisas? Alguém faz isso? Não, só sabem reclamar. Reclamam de quem não faz e de quem faz. No meu caso, eu não fazia. Me senti incomodada e comecei a mudar. Hoje, sou uma das únicas que faz algo lá, mas continuam reclamando. Jogando a culpa do que não é feito, em cima de mim.

Talvez caiba à cada um refletir e tentar pensar em uma forma de ajudar. Procurar defeitos em si, em vez de apontar o do outro. E eu que achava que eu era imatura, descobri que na verdade o problema é por eu ser mais madura do que a cabeça daqueles pobres coitados, e por isso eles não conseguem me entender.

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