segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Same nightmares

Acordei assustada. Tive um pesadelo onde eu lhe disse que te amo. Não que seja uma coisa ruim, porque de certa forma eu realmente te amo, mas você foi embora. Não sei se ficou claro pra você, que esse "eu te amo" era antes de mais nada, sobre nossos momentos muito felizes. Eu amo esses momentos. Esse eu te amo, também foi a forma que encontrei de dizer que te quero, porque eu te quero muito. Quero ficar, namorar e casar com você, é. E esse eu te amo, também foi pela nossa amizade. Nós somos amigas, não é?
Bom, foi um pesadelo. Ou talvez tenha sido tudo mais real do que me parece.
A sensação que ficou, foi de um buraco. Mas não por você não ter respondido que me ama, isso seria pedir demais. Mas foi por não saber se você realmente não irá mais voltar para esses nossos momentos.
Então, tudo que me restou foi gritar. Em meio às lágrimas, gritei tudo o que me passou pela cabeça:

How I wish, I wish you were here
Year after year,
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears
Wish you were here

É, talvez eu tenha me apaixonado de novo, quem sabe.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Calçada

"There are men high up there fishing,
Haven't seen quite enough of the world,
I ain't seen a sign of my heroes,
And I'm still diving down for pearls."


O garoto estava andando. Eram exatamente 21h. Ele não podia perder mais tempo. Desde que havia nascido, ao integrar-se a todo esse processo cíclico e praticamente imutável ao qual a sociedade humana está inserida, ele não pôde lutar contra tudo aquilo. Fome, frio e sede. Era tudo que ele tinha.
Ele tentou pedir abrigo, mas aos olhos de quem tem mais que ele, ele era um nada, era invisível. Encontrou um lugar para ficar. Se chamava calçada. Era ali que ele passava a maioria das noites. E essa era uma noite fria, até para quem tem um teto e cobertores. Mas ele não tinha nem teto, nem cobertores. Ele possuía apenas a roupa que utilizava todo dia.
As horas foram passando e o frio apertando. O chão duro não incomodava, mas a sensibilidade a tudo aquilo fazia seu corpo doer. Ele não tinha ninguém a quem recorrer. Nenhuma família. Nenhum amigo. Nada. Tudo o que possuía era a própria consciência que se remoía quanto mais ele sofria.
Esse garoto nada falava. Não tinha o que falar. Reclamar? Coitado, isso nunca o ajudaria.
Na ausência de qualquer coisa, exceto pela presença do frio que apertava ainda mais, ele tremia. Medo. Fim da esperança. Era ali o ponto final. Morrer de frio seria pouco. Ali morria mais que um garoto. Morria a esperança de alguém que um dia acreditou que em meio a tudo o que passava de ruim, alguém pudesse ter uma alma boa e ajudar.

"I am not the actor
This can't be the scene
But I am in the water,
As far as I can see...
I wanna drown in cold water"