"There are men high up there fishing,
Haven't seen quite enough of the world,
I ain't seen a sign of my heroes,
And I'm still diving down for pearls."
O garoto estava andando. Eram exatamente 21h. Ele não podia perder mais tempo. Desde que havia nascido, ao integrar-se a todo esse processo cíclico e praticamente imutável ao qual a sociedade humana está inserida, ele não pôde lutar contra tudo aquilo. Fome, frio e sede. Era tudo que ele tinha.
Ele tentou pedir abrigo, mas aos olhos de quem tem mais que ele, ele era um nada, era invisível. Encontrou um lugar para ficar. Se chamava calçada. Era ali que ele passava a maioria das noites. E essa era uma noite fria, até para quem tem um teto e cobertores. Mas ele não tinha nem teto, nem cobertores. Ele possuía apenas a roupa que utilizava todo dia.
As horas foram passando e o frio apertando. O chão duro não incomodava, mas a sensibilidade a tudo aquilo fazia seu corpo doer. Ele não tinha ninguém a quem recorrer. Nenhuma família. Nenhum amigo. Nada. Tudo o que possuía era a própria consciência que se remoía quanto mais ele sofria.
Esse garoto nada falava. Não tinha o que falar. Reclamar? Coitado, isso nunca o ajudaria.
Na ausência de qualquer coisa, exceto pela presença do frio que apertava ainda mais, ele tremia. Medo. Fim da esperança. Era ali o ponto final. Morrer de frio seria pouco. Ali morria mais que um garoto. Morria a esperança de alguém que um dia acreditou que em meio a tudo o que passava de ruim, alguém pudesse ter uma alma boa e ajudar.
"I am not the actor
This can't be the scene
But I am in the water,
As far as I can see...
I wanna drown in cold water"
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
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