Bom, uma das redações do colégio, que foi feita recentemente, inclusive, tinha como proposta a criação de uma crônica, sobre um dos assuntos propostos. É, essa foi minha primeira vez escrevendo crônicas, decidi postá-la.
Antes disso, apenas mais uma explicação: a prosposta que eu escolhi pedia que em algum momento eu pelo menos citasse algo relacionado à uma matéria que saiu no jornal, onde um deputado havia mandado pra Câmara: a proposta de proibição de utilização de nomes de gente, em cachorros.
Bom! Então lá vai:
Rotina de (Des)Prazer
Acordei cedo para ir trabalhar, como de costume. Meu carro novo me esperava na garagem, roxo, impecável. Peguei minha maleta e meus papéis, junto com as contas -de água, luz, telefone, internet, TV a cabo e todas aquelas infinitas e contínuas desculpas do governo de nos tirar dinheiro para seus salários-, e, após comer um pedaço de pizza que havia sobrado do dia anterior, embarquei na minha viagem de mais um dia.
Já ao entrar na Av. Cristiano Machado, meu humor foi levado ao nível crítico de desprazer. Aquele engarrafamento de quase uma hora e meia, junto ao enjôo provavelmente causado pelo pedaço de pizza de mais cedo culminou com uma quase falta (eficaz) de tempo para chegar ao banheiro. Enquanto eu pensava com meus neurônios, sentado na privada do banheiro do meu trabalho, cheguei à conclusão de que o que falta em BH é uma linha de metrôs subterrânea, assim diminuiria o tráfego caótico dos horários de pique.
Depois da "sessão filosófica" no banheiro, sentei-me em minha mesa e comecei a digitar meus "textos de cada dia" antes que os prazos de entrega na editora vencessem. Assim, foram-se mais de dez horas de trabalho, com bastantes correções, revisões, criações, "ões", "ões" e mais "ões". E, finalmente quando o relógio marcou com seus tridentes sedentários infernais, o término do meu expediente, dirigi-me à saída com aquela minha cara de sempre: cara de "spleen".
Novamente na volta pra casa, peguei outro trânsito daqueles! Já cansado de toda essa rotina, nada me impressionava mais. Era só mais um dia. Todos são iguais, afinal! Todos tem suas 24h.
Coloquei um CD, que se encontrava jogado em um canto no porta-luvas, torcendo que fosse algum da Olivia, deixado ali por acaso. Mas não, era a coletânia de músicas compostas por Vinícius de Moraes, interpretadas por Tom Jobim, que minha prima havia deixado ali da última vez em que a vi. Recostei no meu banco e fiquei observando o Viaduto da Floresta. "Precisa de uma reforma", falei. Todos aqueles sem-tetos ali, usando suas substâncias alucinógenas já eram quase imperceptíveis na paisagem, sempre estavam ali.
Depois de duas horas cheguei em casa, estacionei meu carro quase novo ( já no seu primeiro dia de uso estava desgastado) e fui direto ao telefone, pedir alguns sushis à delivery, uma vez que minha esposa estava viajando com suas amigas e a saudade da figura dela me esperando com a comida apertava. O atendente disse que demoraria alguns minutos para chegar o jantar, então aproveitei pra tomar um banho. Com a água gelada caindo, meus pensamentos giraram e giraram misturados à sensação relaxante momentânea. Sem querer, isso deu vasão ao lembrete das contas, que no meio da correria toda, esqueci de pagar. Saí do banheiro, ao ouvir o interfone tocar. De roupão, cueca, chinelos e a toalha enrolada nos então longos cabelos grisalhos, fui até a porta, paguei o motoboy, peguei meus sushis e o jornal, que por coincidência vi caído ao lado de minha caixa de correspondências.
Sentei-me à mesa sozinho e aproveitei para passar o olho pelas chamadas do jornal, enquanto comia os sushis. Fui direto para o quarto, após guardar o que havia sobrado do sushi, para comer de café da manhã do dia seguinte. Ajoelhei-me ao lado da cama e rezei, como habitualmente. Regras da patroa, acabou virando hábito. Deitei na imensa cama de casal. E a última coisa que pensei naquele dia, foi na matéria sobre um deputado que apresentara na Câmara, uma proposta que consistia na proibição de nomes humanos, em cachorros. Dormi rindo. Muito útil essa proposta.