Sempre vivi uma vida certinha. Todo dia, na hora exata de 15:15 você podia olhar para o relógio e olhar praquela ponte, que com certeza eu estaria passando pelo pedaço mais alto dela. Nunca tirei uma nota que desse motivos para eu não ser o número um do colégio. Nunca fiz sexo deliberadamente e sem amor. Nunca menti. Nunca machuquei alguém.
Mas algo sempre me fascinou. Cabelos. É, cabelos. A primeira coisa que eu reparo nas pessoas. Não que percebam, mas eu sei que é assim.
Minha infância não foi sofrida. Foi perfeitamente normal. Nunca me envolvi com drogas, nunca bebi antes dos 18. Nunca falei palavrões.
Mas quando conheci Eduarda, eu me apaixonei. Foi à primeira vista. Quando bati os olhos naqueles cabelos dela. Eram brilhantes. Pretos. Muito pretos. E liso. Ela era linda. Seu cabelo era lindo. Vivi a melhor época da minha vida.
Lembro-me que da primeira vez que fomos pra cama, me apaixonei ainda mais por ela. Seus cabelos perfumavam o quarto e misturava o cheiro de nós dois. À noite, eu adorava ficar admirando aqueles fios pretos. Nos dias que a lua iluminava-os através da janela do quarto, eu me perdia na ideia de que talvez ela fosse a pessoa mais perfeita.
Um dia, acordei e ela não estava ao meu lado na cama. Liguei pra ela. Me disse que estava no hospital fazendo alguns exames, porque acordou se sentindo mal. Tudo bem, aproveitei pra arrumar a casa. Guardar as bebidas e os copos que estavam em cima da mesa desde o jantar da útima noite.
Quando voltei do trabalho nesse dia, Eduarda estava sentada na poltrona da sala, dormindo profundamente. Fiquei esperando que ela acordasse. Já era noite. Há quanto tempo eu permanecia ali observando seu cabelo? Não sabia. Tentei raciocinar, mas acabei pegando no sono enquanto olhava para ela.
Tive sonhos estranhos. Sonhei com o cabelo de Eduarda. Eu pensava em um objeto, de repente o pensamento era cortado por imagens dos fios negros. Era muito nítido. Aparecia uma tesoura. E o cabelo. Aparecia uma faca. E o cabelo. Aparecia uma pá. E o cabelo. Aparecia a terra. E o cabelo. Sangue. Cabelo.
Acordei suando. Estava em meu quarto. Olhei para o lado e vi os lindos cabelos. Estavam mais negros que nunca. Estendi minha mão para apalpá-los. Agora estavam sujos de terra. E de sangue. E Eduarda não estava ali.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
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nu! amei!
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