Uma vez você acreditou com toda a certeza de que havia conhecido a pessoa perfeita pra sua vida. Enfrentou tudo por ela, simplesmente por sentir que... valia a pena. Mesmo seus amigos mais próximos, seus pais, praticamente o mundo inteiro não conseguiram te mostrar que todo mundo tem defeitos. E de repente, mesmo que depois de uma vida quase toda, você percebeu que tudo aqui não passava de ... momentos relativos. Você sempre enxergou o melhor de tudo, os bons momentos. Enquanto o resto enxergava talvez, parte dos OUTROS momentos. Por isso na sua cabeça valia a pena, você não sabia que tudo o que passaram não era feito de apenas bons momentos.
Foi aí que o encanto se quebrou. Nada foi o que parecia antes pra você. O seu castelo de princesa, com o príncipe lindo e corajoso era meramente uma ilusão que você se forçou a acreditar piamente para não se sentir vazia. Mas até onde se enganar vale a pena? Afinal, de fato você continua vazia, mas preenche um pouco disso com ilusões e é a mesma coisa que nada, NADA.
Por isso tudo acaba um dia.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Rascunho
Já faz tempo que tinha começado a sentir um incômodo, mas só consegui perceber o que era, hoje. Um vazio que começou sabe-se lá quando, que vem crescendo.
Enquanto as esperanças vão morrendo, leva consigo todo o ânimo e energia. Não há nenhuma motivação mais. As opções de distração se vão também. É como um buraco-negro, fazendo desmoronar tudo em volta, levando todas as coisas belas e boas.
Não combina muito comigo chorar, apesar de que no fundo é uma das coisas que mais faço, mas é por pena de tudo que acontece. Lá se vai um sorriso, lá se vai um amor. E o mais legal é ter que ficar ouvindo os problemas de todo mundo e fingir estar bem, porque todo mundo esqueceu de perguntar " e você? como está?". Pois bem: Eu? vou mal; sem amores, sem alegria, sem vida e você? Ah! você brigou com seu namorado porque ele disse que te ama mais do que você ama ele. NOSSA, que problema, hein?
Eu não tenho ninguém ao meu lado e você aí, tentando criar problemas em vez de dar valor ao que já foi conquistado. Ter alguém que gosta de você e se preocupa... talvez seja uma das coisas mais importantes para se ter uma vida saudável e feliz.
E esse é apenas um rascunho.
Enquanto as esperanças vão morrendo, leva consigo todo o ânimo e energia. Não há nenhuma motivação mais. As opções de distração se vão também. É como um buraco-negro, fazendo desmoronar tudo em volta, levando todas as coisas belas e boas.
Não combina muito comigo chorar, apesar de que no fundo é uma das coisas que mais faço, mas é por pena de tudo que acontece. Lá se vai um sorriso, lá se vai um amor. E o mais legal é ter que ficar ouvindo os problemas de todo mundo e fingir estar bem, porque todo mundo esqueceu de perguntar " e você? como está?". Pois bem: Eu? vou mal; sem amores, sem alegria, sem vida e você? Ah! você brigou com seu namorado porque ele disse que te ama mais do que você ama ele. NOSSA, que problema, hein?
Eu não tenho ninguém ao meu lado e você aí, tentando criar problemas em vez de dar valor ao que já foi conquistado. Ter alguém que gosta de você e se preocupa... talvez seja uma das coisas mais importantes para se ter uma vida saudável e feliz.
E esse é apenas um rascunho.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Same nightmares
Acordei assustada. Tive um pesadelo onde eu lhe disse que te amo. Não que seja uma coisa ruim, porque de certa forma eu realmente te amo, mas você foi embora. Não sei se ficou claro pra você, que esse "eu te amo" era antes de mais nada, sobre nossos momentos muito felizes. Eu amo esses momentos. Esse eu te amo, também foi a forma que encontrei de dizer que te quero, porque eu te quero muito. Quero ficar, namorar e casar com você, é. E esse eu te amo, também foi pela nossa amizade. Nós somos amigas, não é?
Bom, foi um pesadelo. Ou talvez tenha sido tudo mais real do que me parece.
A sensação que ficou, foi de um buraco. Mas não por você não ter respondido que me ama, isso seria pedir demais. Mas foi por não saber se você realmente não irá mais voltar para esses nossos momentos.
Então, tudo que me restou foi gritar. Em meio às lágrimas, gritei tudo o que me passou pela cabeça:
How I wish, I wish you were here
Year after year,
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears
Wish you were here
É, talvez eu tenha me apaixonado de novo, quem sabe.
Bom, foi um pesadelo. Ou talvez tenha sido tudo mais real do que me parece.
A sensação que ficou, foi de um buraco. Mas não por você não ter respondido que me ama, isso seria pedir demais. Mas foi por não saber se você realmente não irá mais voltar para esses nossos momentos.
Então, tudo que me restou foi gritar. Em meio às lágrimas, gritei tudo o que me passou pela cabeça:
How I wish, I wish you were here
Year after year,
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears
Wish you were here
É, talvez eu tenha me apaixonado de novo, quem sabe.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Calçada
"There are men high up there fishing,
Haven't seen quite enough of the world,
I ain't seen a sign of my heroes,
And I'm still diving down for pearls."
O garoto estava andando. Eram exatamente 21h. Ele não podia perder mais tempo. Desde que havia nascido, ao integrar-se a todo esse processo cíclico e praticamente imutável ao qual a sociedade humana está inserida, ele não pôde lutar contra tudo aquilo. Fome, frio e sede. Era tudo que ele tinha.
Ele tentou pedir abrigo, mas aos olhos de quem tem mais que ele, ele era um nada, era invisível. Encontrou um lugar para ficar. Se chamava calçada. Era ali que ele passava a maioria das noites. E essa era uma noite fria, até para quem tem um teto e cobertores. Mas ele não tinha nem teto, nem cobertores. Ele possuía apenas a roupa que utilizava todo dia.
As horas foram passando e o frio apertando. O chão duro não incomodava, mas a sensibilidade a tudo aquilo fazia seu corpo doer. Ele não tinha ninguém a quem recorrer. Nenhuma família. Nenhum amigo. Nada. Tudo o que possuía era a própria consciência que se remoía quanto mais ele sofria.
Esse garoto nada falava. Não tinha o que falar. Reclamar? Coitado, isso nunca o ajudaria.
Na ausência de qualquer coisa, exceto pela presença do frio que apertava ainda mais, ele tremia. Medo. Fim da esperança. Era ali o ponto final. Morrer de frio seria pouco. Ali morria mais que um garoto. Morria a esperança de alguém que um dia acreditou que em meio a tudo o que passava de ruim, alguém pudesse ter uma alma boa e ajudar.
"I am not the actor
This can't be the scene
But I am in the water,
As far as I can see...
I wanna drown in cold water"
Haven't seen quite enough of the world,
I ain't seen a sign of my heroes,
And I'm still diving down for pearls."
O garoto estava andando. Eram exatamente 21h. Ele não podia perder mais tempo. Desde que havia nascido, ao integrar-se a todo esse processo cíclico e praticamente imutável ao qual a sociedade humana está inserida, ele não pôde lutar contra tudo aquilo. Fome, frio e sede. Era tudo que ele tinha.
Ele tentou pedir abrigo, mas aos olhos de quem tem mais que ele, ele era um nada, era invisível. Encontrou um lugar para ficar. Se chamava calçada. Era ali que ele passava a maioria das noites. E essa era uma noite fria, até para quem tem um teto e cobertores. Mas ele não tinha nem teto, nem cobertores. Ele possuía apenas a roupa que utilizava todo dia.
As horas foram passando e o frio apertando. O chão duro não incomodava, mas a sensibilidade a tudo aquilo fazia seu corpo doer. Ele não tinha ninguém a quem recorrer. Nenhuma família. Nenhum amigo. Nada. Tudo o que possuía era a própria consciência que se remoía quanto mais ele sofria.
Esse garoto nada falava. Não tinha o que falar. Reclamar? Coitado, isso nunca o ajudaria.
Na ausência de qualquer coisa, exceto pela presença do frio que apertava ainda mais, ele tremia. Medo. Fim da esperança. Era ali o ponto final. Morrer de frio seria pouco. Ali morria mais que um garoto. Morria a esperança de alguém que um dia acreditou que em meio a tudo o que passava de ruim, alguém pudesse ter uma alma boa e ajudar.
"I am not the actor
This can't be the scene
But I am in the water,
As far as I can see...
I wanna drown in cold water"
quinta-feira, 15 de julho de 2010
O cabelo de Eduarda
Sempre vivi uma vida certinha. Todo dia, na hora exata de 15:15 você podia olhar para o relógio e olhar praquela ponte, que com certeza eu estaria passando pelo pedaço mais alto dela. Nunca tirei uma nota que desse motivos para eu não ser o número um do colégio. Nunca fiz sexo deliberadamente e sem amor. Nunca menti. Nunca machuquei alguém.
Mas algo sempre me fascinou. Cabelos. É, cabelos. A primeira coisa que eu reparo nas pessoas. Não que percebam, mas eu sei que é assim.
Minha infância não foi sofrida. Foi perfeitamente normal. Nunca me envolvi com drogas, nunca bebi antes dos 18. Nunca falei palavrões.
Mas quando conheci Eduarda, eu me apaixonei. Foi à primeira vista. Quando bati os olhos naqueles cabelos dela. Eram brilhantes. Pretos. Muito pretos. E liso. Ela era linda. Seu cabelo era lindo. Vivi a melhor época da minha vida.
Lembro-me que da primeira vez que fomos pra cama, me apaixonei ainda mais por ela. Seus cabelos perfumavam o quarto e misturava o cheiro de nós dois. À noite, eu adorava ficar admirando aqueles fios pretos. Nos dias que a lua iluminava-os através da janela do quarto, eu me perdia na ideia de que talvez ela fosse a pessoa mais perfeita.
Um dia, acordei e ela não estava ao meu lado na cama. Liguei pra ela. Me disse que estava no hospital fazendo alguns exames, porque acordou se sentindo mal. Tudo bem, aproveitei pra arrumar a casa. Guardar as bebidas e os copos que estavam em cima da mesa desde o jantar da útima noite.
Quando voltei do trabalho nesse dia, Eduarda estava sentada na poltrona da sala, dormindo profundamente. Fiquei esperando que ela acordasse. Já era noite. Há quanto tempo eu permanecia ali observando seu cabelo? Não sabia. Tentei raciocinar, mas acabei pegando no sono enquanto olhava para ela.
Tive sonhos estranhos. Sonhei com o cabelo de Eduarda. Eu pensava em um objeto, de repente o pensamento era cortado por imagens dos fios negros. Era muito nítido. Aparecia uma tesoura. E o cabelo. Aparecia uma faca. E o cabelo. Aparecia uma pá. E o cabelo. Aparecia a terra. E o cabelo. Sangue. Cabelo.
Acordei suando. Estava em meu quarto. Olhei para o lado e vi os lindos cabelos. Estavam mais negros que nunca. Estendi minha mão para apalpá-los. Agora estavam sujos de terra. E de sangue. E Eduarda não estava ali.
Mas algo sempre me fascinou. Cabelos. É, cabelos. A primeira coisa que eu reparo nas pessoas. Não que percebam, mas eu sei que é assim.
Minha infância não foi sofrida. Foi perfeitamente normal. Nunca me envolvi com drogas, nunca bebi antes dos 18. Nunca falei palavrões.
Mas quando conheci Eduarda, eu me apaixonei. Foi à primeira vista. Quando bati os olhos naqueles cabelos dela. Eram brilhantes. Pretos. Muito pretos. E liso. Ela era linda. Seu cabelo era lindo. Vivi a melhor época da minha vida.
Lembro-me que da primeira vez que fomos pra cama, me apaixonei ainda mais por ela. Seus cabelos perfumavam o quarto e misturava o cheiro de nós dois. À noite, eu adorava ficar admirando aqueles fios pretos. Nos dias que a lua iluminava-os através da janela do quarto, eu me perdia na ideia de que talvez ela fosse a pessoa mais perfeita.
Um dia, acordei e ela não estava ao meu lado na cama. Liguei pra ela. Me disse que estava no hospital fazendo alguns exames, porque acordou se sentindo mal. Tudo bem, aproveitei pra arrumar a casa. Guardar as bebidas e os copos que estavam em cima da mesa desde o jantar da útima noite.
Quando voltei do trabalho nesse dia, Eduarda estava sentada na poltrona da sala, dormindo profundamente. Fiquei esperando que ela acordasse. Já era noite. Há quanto tempo eu permanecia ali observando seu cabelo? Não sabia. Tentei raciocinar, mas acabei pegando no sono enquanto olhava para ela.
Tive sonhos estranhos. Sonhei com o cabelo de Eduarda. Eu pensava em um objeto, de repente o pensamento era cortado por imagens dos fios negros. Era muito nítido. Aparecia uma tesoura. E o cabelo. Aparecia uma faca. E o cabelo. Aparecia uma pá. E o cabelo. Aparecia a terra. E o cabelo. Sangue. Cabelo.
Acordei suando. Estava em meu quarto. Olhei para o lado e vi os lindos cabelos. Estavam mais negros que nunca. Estendi minha mão para apalpá-los. Agora estavam sujos de terra. E de sangue. E Eduarda não estava ali.
Dia estranho
Um dia você acorda e percebe que tem algo errado. Não vieram te acordar. Você está atrasado em quase 3h e sente a cabeça pesar. Será que bebeu ontem? É uma sensação parecida com a que as pessoas sentem quando passam a noite inteira chorando e assim adormecem. Vê que seus olhos estão inchados quando você passa pelo banheiro pra se arrumar com pressa pra suportar mais um dia de trabalho. Parece que o dia tem algo de especial, mas você ainda não sabe o que é.
Então você se arruma, passa pela cozinha e pega um pedaço de pão e coloca na boca. Seu estômago está roncando de fome, mas você não sente prazer em comer. Algo está estranho. E de novo sua cabeça lateja, com a mesma sensação de antes. Calça seu sapato, pega sua maleta. E está na hora de dar um beijo na sua mãe de bom dia e sair correndo. Você entra no quarto. Está vazio. Não o quarto, mas sua consciência. A cena que você encontra é o que te faz lembrar da última noite. Você encontra sua mãe desolada, chorando sozinha e lamentando os dias que faltam para voltar aos braços do homem que ela jurou amor eterno.
Então você sabe que faz um mês que seu pai se foi. Um mês que você não sai de casa. Um mês que você bebe o dia inteiro e chora a noite toda.
Então você se arruma, passa pela cozinha e pega um pedaço de pão e coloca na boca. Seu estômago está roncando de fome, mas você não sente prazer em comer. Algo está estranho. E de novo sua cabeça lateja, com a mesma sensação de antes. Calça seu sapato, pega sua maleta. E está na hora de dar um beijo na sua mãe de bom dia e sair correndo. Você entra no quarto. Está vazio. Não o quarto, mas sua consciência. A cena que você encontra é o que te faz lembrar da última noite. Você encontra sua mãe desolada, chorando sozinha e lamentando os dias que faltam para voltar aos braços do homem que ela jurou amor eterno.
Então você sabe que faz um mês que seu pai se foi. Um mês que você não sai de casa. Um mês que você bebe o dia inteiro e chora a noite toda.
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